É tão difícil viver consigo mesmo!


É tão difícil viver consigo mesmo! Uma das formas encontradas pelo ego para tentar fugir ao caráter insatisfatório da individualidade é ampliar e reforçar a sua noção de identidade, identificando-se com um grupo - uma nação, um partido político, uma empresa, uma instituição, uma fação, um clube, um gangue, uma equipa de futebol, etc.


Que alívio sentir-se livre do terrível fardo da identidade pessoal! Os adeptos do coletivo sentem-se felizes e realizados, por mais árduo que o trabalho seja e independentemente dos sacrifícios que fazem. Parecem terem ultrapassado o ego. A questão é a seguinte: serão eles verdadeiramente livres ou terá o ego apenas mudado do pessoal para o coletivo?


Um ego coletivo manifesta as mesmas caraterísticas do ego pessoal, como, por exemplo, a necessidade de criar relações conflituosas e de ter inimigos, a necessidade de ser/ter mais, a necessidade de estar certo em relação aos outros, que estão errados, e assim por diante.


Mais cedo ou mais tarde, o ego coletivo entra em conflito com outros egos coletivos, pois procura fazê-lo inconscientemente e precisa de oposição para definir os seus limites e, por conseguinte, a sua identidade.


Os seus adeptos experimentam então o sofrimento que se segue inevitavelmente a qualquer ação motivada pelo ego. Nesta altura, pode ser que despertem e se apercebam de que o seu coletivo possui um forte elemento de loucura.


Eckhart Tolle (Um Novo Mundo)


Texto extraído: Manifesto Visionário