Os Feiticeiros, Ervatários e os Santuários.


Os Apukás são surpreendentes em vários sentidos, isso tão verdadeiro que nesta cultura existe uma hierarquia de homens sagrados e os mais poderosos são os “Médicos Feiticeiros”, cujo auxílio deve ser recompensado com dádivas substanciais.


Contudo, “Médicos Feiticeiros” não fornecem a seus clientes as porções de cura, somente decidem quais devem ser seus ingredientes e então os escrevem em sua linguagem antiga e secreta.


Esta escrita é entendida apenas pelos “Médicos Feiticeiros” e pelos “Ervatários”, os quais, em troca de outra dádiva, providenciam o encantamento necessário.


A mais famosa ervatária dos Apukás é a “Calêndula” uma jovem exótica, com uma generosidade ímpar, no qual transmite toda sua bondade e sapiência em suas formulas secretas.


Os Apukás não se desfazem do encantamento após seu uso, mas colocam na caixa de encantamento do santuário doméstico. Abaixo desta caixa existe uma pequena fonte da qual sai água, e esta água cai sobre uma cumbuca, e os dejetos desta água se dissipam na terra por meios de canos invisíveis.


O santuário doméstico é um local sagrado, e o mais incrível é que todos os dias cada membro da família, um após outro, entra no santuário, inclina sua fronte ante a “Caixa de Encantamentos”, mistura diferentes tipos de águas sagradas na cumbuca e procede a um breve rito de ablução.


As águas sagradas vêm do Templo da Agua Sagrada, onde sacerdotes executam elaboradas cerimônias para tornar o líquido ritualmente puro.


Acreditam que este templo seja habitado pelo deus “Cloroficadus” ou conhecido pelo “Químicos Feiticeiros” “CL” e este templo é responsável pela distribuição e conservação da água em toda região ao nascer do sol ao pôr do sol.


Essa tecnologia foi desenvolvida para os santuários domésticos, que tem por objetivo proteger todos os membros da oca contra diversos males do corpo e alma.



Texto inspirado na obra de Horace Miner In: A.K. Rooney e P.L. de Vore (orgs) You and the others: Readings in Introductory Anthropology (Cambridge, Erlich) 1976, “Ritos corporais entre os Nacirema”.

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