O Sistema Político dos Apukás

January 5, 2017

 

O sistema político dos Apukás é muito interessante, sofisticado e é  formado por  20 “Serodaerev” que é um tipo de conselho formado por “Rodaerev”, juntamente com o ancião “Otyeferp” e todos  são peças fundamentais do regime político dos Apukás.

 

As sessões ocorrem na “Ramaca” que uma espécie santuário político, são públicas, mas não poderiam ter a interferência de outras pessoas.

 

Os “Serodaerev”, são membros da “Ramaca” eram escolhidos a cada cinquenta e duas luas cheias, através do sorteio dos nomes que constavam em uma lista estabelecida por cada comunidade.

 

A sociedade dos Apukás era divididas em grupos e cada grupo tinha direito de ter  três representantes compondo a “Ramaca”. Todos eles deveriam ter no mínimo 35 anos de idade, pois acreditava-se que assim já estavam mais maduros e experientes antes de assumir as responsabilidades no conselho, todos tem que passar pelo exame da diplomação, exame preliminar onde se averiguava a conduta do indivíduo e a sua vida pregressa.  Caso fossem aprovados, os candidatos a “Rodaerev” prestavam o juramento ao conselho diante do livro sagrado.

 

Esses nativos tem a obrigação servir a comunidade e ajudar o “Otyeferp” na administração da comunidade dos Apukás.  

 

Os “Serodaerev” são responsáveis por preparar os assuntos a serem debatidos na Assembleia, redigir decretos e zelar para que as decisões da Assembleia fossem cumpridas. Também supervisionam a construção de navios e a condição dos arsenais de guerra, as entradas de impostos, os leilões públicos de bens confiscados, as licitações dos trabalhos a serem realizados nos templos, ratificam tratados de paz e alianças, controlam a organização militar da cidade, cuidam dos membros da comunidade como seus filhos, filhas, políticas para desenvolver o bem-estar e a segurança da tribo.

 

Outra particularidade dos Apukás que é muito visível,  é o  processo de seleção para “Rodaerev”, os iniciados são capazes de fazer façanhas incríveis neste período que acontece na primavera, os iniciados a “Rodaerev” vão em suas comunidades, beijam crianças, abraçam idosos, tomam um liquido preto chamado “Féca” que são servidos em pequenos vasos, comem junto com os membros da comunidade, experimentam comidas exóticas em recipientes duvidosos, apertam as mãos de todos, beijam neófitos, moribundos, abraços animais e se dizem protetores da natureza, além disso, fazem feitiços que envolve dadivas, acordos e promessas, como por exemplo  modernizar as relações pessoais na tribo, cuidar das crianças, dos idosos, ampliar o número médicos feiticeiros, treinar melhor os guerreiros, prometem doar animais para cada silvícolas, e juram diante da comunidade que estão dispostos servir exclusivamente a sua comunidade se eles forem escolhidos como  “Serodaerev”.

 

Alguns  Apukás não conseguem ver esses iniciados a “Rodaerev”,  com bons olhos, há relatos dos anciões, que tais sujeitos não são confiáveis, pois falam o que você quer ouvir, nunca falam o que pensam, e quando você mais precisa deles, sempre dizem que não podem ajudar.

 

E não podemos esquecer, que tais iniciados fazem uma espécie de feitiço para que os membros das comunidades os escolham como representantes na “Ramaca” por 52 luas.

 

Também há rumores que os iniciados a “Rodaerev” de forma oculta, costumam dar dádivas para alguns silvícolas com o intuito de serem escolhidos no processo seleção para a “Ramaca”, eles são tão habilidosos que os “Anciões Fiscais” do processo de seleção não conseguem perceber esses atos espúrios praticados pelos ocupantes da lista para “Rodaerev”.

 

O que chamou a minha atenção nos  Apukás no sistema político,  é a dissimulação dos “Serodaerev”, após o ritual de passagem diante do livro sagrado.

 

Antes do ritual de passagem tais silvícolas, faziam de seus ofícios um verdadeiro altruísmo, são amantes da liberdade, são simples, o bem maior é a coletividade, se preocupam com a felicidade individual e coletiva dos Apukás.

 

O objetivo de um membro do conselho é justamente assegurar uma vida feliz aos Apukás. Por isso mesmo acreditam que na política buscam o conhecimento como meio para ação, visando o bem comum.

 

Todos esse valores são expostos nos discursos por toda a tribo enquanto não cogitam a possibilidade de serem iniciados a “Rodaerev”, quando se recusam a participar do processo de seleção.

 

Alguns nativos dizem que os “Serodaerev” são possuídos por espíritos maus, espíritos que enganam, corrompem, mentem, roubam, comprometem o futuro da tribo, das crianças por interesse próprio, matam por omissão, por atos corruptos, e adoram serem venerados como divindades por silvícolas desprovidos de dadivas e esquecem de como foram em suas vidas pregressas.

 

Tais relatos não quer dizer, que não exista “Serodaerev” bons e de boa índole, altruístas e que se preocupam com a comunidade, porém é necessário pesquisar muito e fazer muitas orações para que voltem a serem os mesmos antes do ritual de passagem.

 

Texto inspirado na obra de Horace Miner In: A.K. Rooney e P.L. de Vore (orgs) You and the others: Readings in Introductory Anthropology (Cambridge, Erlich) 1976, “Ritos corporais entre os Nacirema”.

 

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