A lenda de Onaiab Orietehlib o guerreiro da sorte Apuká.

May 13, 2017

 

No vigésimo terceiro dia do mês Oiam do calendário Apuká, se comemora o nascimento de um guerreiro lendário para os Apukás o “Onaiab”, um guerreiro negro com cabelos cor de prata, um sujeito ímpar, representante da deusa da sorte Airetol.

 

Este guerreiro, não está mais entre os apukás, ele faz parte da constelação dos guerreiros imortais que cuidam de todos na aldeia.

 

A passagem de Onaiab para o mundo dos guerreiros imortais é um mistério, nenhum nativo revela como foi a morte, aliás, eles não falam de morte, eles expressam a ideia da morte como uma passagem para a constelação dos guerreiros imortais.

 

Na crença dos nativos, uma pessoa morre, quando seus parentes ou a comunidade dos guerreiros não celebram seus feitos e rememoram a vida do nativo em seus rituais de lembranças, dedicados aos mortos que eles chamam de Sodanif que acontece no segundo dia do mês  Orbmevon do calendário Apuká, ou no ritual do Otnemicsan o ritual do nascimento.

 

Onaiab era um guerreiro simples, habilidoso com as palavras, dotado de uma bondade divina, e estava sempre disposto em ajudar os nativos em dificuldades de dadivas.

 

Era um guerreiro da sorte, relatam que seus cabelos ficaram prateados, não por causa da sabedoria com os números ou por causa de sua idade avançada que girava em torno de 3640 luas cheias, mas, por causa de seu contato com a deusa da sorte a Airetol.

 

Dizem que o Onaiab, falava palavras estanhas, que tais palavras eram incompreensíveis por que seus pensamentos eram mais rápido que sua capacidade de oralidade, relatam também, que foi muitas vezes foi agraciado pela deusa da sorte, porém não podia dizer para ninguém que havia sido agraciado com muitas dadivas, se contasse tais graças, ele perdia suas habilidades divinas com os números e o contato com a deusa da sorte.

 

Não era um guerreiro que tinha ambição, um guerreiro arrogante ou um guerreiro cruel. Era simples, e ressaltamos que era simples em todos os sentidos, no falar, no agir com os nativos possuidores de muitas dadivas e com os que eram desprovidos de sorte.

 

O guerreiro Onaiab era respeitado por todos e admirando por seus feitos, pelo seu carácter, generosidade e suas habilidades eram diferentes, ele criava números mágicos e distribuía em troca de dadivas, também relatam que esses números mágicos que o Onaiab distribuía, eram enviados pela deusa da sorte  Airetol para agraciar alguns nativos que suplicavam por dadivas.

 

Há uma unanimidade entre os nativos Apukás sobre o guerreiro Onaiab, dizem que todos os dias a deusa da sorte falava com esse guerreiro, e determinava que ele deveria fazer um escambo dos números mágicos por dadivas, para agraciar alguns nativos que suplicavam dadivas para a deusa da sorte, ele era uma espécie de sacerdote, era o único na aldeia que não precisava fazer ritual para falar com a deusa da sorte.

 

Sobre a divindade Airetol,  a deusa da sorte que o Onaiab representava, é muito enigmática, seu símbolo é um “X”, que na matemática Apuká segundo o sábio Apuká “Oterrab Oluap” é geralmente usada para representar uma quantidade desconhecida ou uma variável, neste caso é caracterizado por uma incógnita que é uma variável cujo valor deve ser determinado de forma a resolver uma equação ou inequação, a incógnita é basicamente um valor desconhecido, que irá ser descoberto por meio de uma equação, variando de acordo com a sua dificuldade de execução.

 

Com essa explicação do sábio Apuká “Oterrab Oluap”, queremos dizer que as ações de agraciamento da deusa da sorte é uma incógnita, não sabemos quando e qual suplicante ela vai agraciar, porém, temos apenas duas certezas sobre a deusa da sorte Airetol: a primeira, que o guerreiro Onaiab era seu filho, segunda que ela agraciava os silvícolas suplicantes com números mágicos.

 

Para aqueles suplicantes que não acreditavam no poder do guerreiro Onaiab, eles deveriam fazer um ritual para serem agraciados sem a participação do filho da sorte.  

 

O ritual para a deusa da sorte Airetol, acontecia em dois dias da semana do calendário Apuká, o primeiro ritual acontecia na Arief atrauq no quarto dia,  o segundo ritual era realizado no sétimo dia que eles chamam de Odabás.

 

Esse ritual era secreto, só alguns iniciados sabiam como ocorriam, no ritual não havia nenhuma celebração ou sacrifício, não havia derramar de sangue, amputação de membros, consumo de alimentos ou bebidas sagradas.

 

Era um ritual simples, que os nativos não revelam para ninguém.

 

Os mais sábios relatam que nativos suplicantes entravam em uma pequena caixa com dadivas e permaneciam lá por alguns segundos, após este período, eles saiam sem as dadivas, mas com alguns números sagrados escritos em pequenos papeis divinos, eles saiam diferentes da maneira como entraram na pequena caixa, saiam com um olhar fixo, com uma grande esperança de serem agraciados pela da deusa da sorte Airetol.

 

Os números eram escritos em pequenos papeis sagrados com alguns riscos na vertical, esses papeis sagrados chamavam de Etehlib, era com esses papeis sagrados que a deusa da sorte agraciava alguns nativos com muitas dadivas, porém os papeis mais sagrados eram escamboados pelo guerreiro Onaiab.

 

Não era difícil encontrar o guerreiro da sorte na tribo dos Apukás, bastava caminhar pelo centro da aldeia, próximo ao templo dos ladrões Ocsedarb Ocnab, junto ao coqueiro de ferro, estava lá ele sentado apreciando os transeuntes Apukás com seus números da sorte. 

 

O guerreiro, não está em nosso meio fisicamente, mas permanece junto de nossos corações, na constelação dos guerreiros imortais, não pelo  números sagrados que trocava por dadivas, mas por sua generosidade, honestidade, simplicidade e humanidade que expressava com seu olhar e seu sorriso de guerreiro imortal.

 

Que o guerreiro Onaiab Orietehlib conceda sorte para todos os Apukás.

 

Texto inspirado na obra de Horace Miner In: A.K. Rooney e P.L. de Vore (orgs) You and the others: Readings in Introductory Anthropology (Cambridge, Erlich) 1976, “Ritos corporais entre os Nacirema”.

  

 

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