Carta ao Rei Leão I e a Realeza Sindical

May 3, 2018

 

Ao vigésimo quinto dia da prisão do preso político e maior membro da corte sindicalista que nosso reino já teve, o nobre e emissário do povo Luiz Inácio Lula da Silva, venho informar e relatar que não farei mais parte das fileiras dos súditos que arriscará a vida por vossa Majestade e tão pouco por seus Ministros Sindicais e outros membros da Realeza Sindical, mas continuarei a seguir os ideais sindicalistas.

 

Majestade, sei da vossa bondade, sei de sua coragem, sei de muitas lutas que travou em nome de seus súditos, não tenho como negar da nobreza de vosso coração e peço apenas que entenda e reflita sobre os relatos a seguir.

 

Majestade, os motivos de minha partida são diversos, mas nenhum deles apagou a minha crença na luta sindical e na união dos trabalhadores, mas pelo contrário, só fortaleceu minhas convicções e meu amor pelos súditos diante da  miséria, da fome e da injustiça que assola nossa gente.

 

Preciso informar a Vossa Majestade que o vosso reino está dividido  por alguns grupos políticos que estão se digladiando nos bastidores pelo poder e para o poder.

 

Informamos também que pelas características do conflito interno os ideais não fazem mais parte do processo de luta e de suas aspirações, mas apenas a vaidade, o poder pelo poder.

 

Nesta luta interna, nossa gente foi esquecida, bem como os nossos ideais e muitos dos súditos perceberam que estão sendo usados para manter a realeza sindical forte e sem oposição nestes tempos difíceis.

 

Acreditamos, Majestade, que este conflito é muito perigoso dentro destas circunstâncias, e podemos afirmar que jamais venceremos nosso inimigo comum, pois estamos nos mutilando e nos enfraquecendo ao longo dos anos.

 

Majestade Sindical, esta luta interna é tão violenta que não tenho esperança de vitória contra o nosso inimigo comum, pois os nobres sindicalistas já  esqueceram da nossa gente,  das nossas causas e do nosso ideal por uma sociedade justa, igualitária e soberana.

 

Percebemos que ao longo das batalhas e dos anos, estamos levando nossa gente para um caminho que eles não querem trilhar, que é o caminho do partidarismo e de ideologias que eles desconhecem ou tem medo.

 

Precisamos, Majestade, ter uma noção clara que eles são apenas súditos, trabalhadores dotados de simplicidade e ausência de leitura política complexa.

 

Para seguir rumo a vitória, Majestade, é necessário mudar alguns hábitos, pois temos lutado sem estratégias definidas, sem consultar o povo, sem contar com os aliados e tampouco com o apoio dos melhores guerreiros.

 

Uma das queixas comuns entre o povo é que eles tem a sensação de que são tratados como massa de manobra, e em meio a dificuldade são deixados a própria sorte.

 

É muito triste ver nosso povo sem esperança diante do futuro incerto e com tantas mazelas e indiferenças em nosso meio.

 

A vossa alteza não percebeu que, a cada dia que passa, nossa gente está se escondendo para não lutar? 

 

Porque tamanha indiferença, Majestade?

 

A resposta é simples, objetiva e direta!

 

O povo percebeu as mazelas da vossa administração, percebeu que muitos ministros sindicais estão vivendo no luxo, estão ostentando diante da miséria de nossa gente, eles não são transparentes com os recursos comuns, são dissimulados, mentem descaradamente, são avarentos, subestimam a nossa inteligência, são amadores no trato com as coisas coletivas e muitas vezes usam de nossa boa vontade para fins partidários.

 

Não há respeito para com os mais simples; os anciões sindicais foram esquecidos; os mais jovens estão sendo arregimentados, não pelo ideal da causa, mas para o poder e pelo poder.

 

Por tais motivos, Majestade, vossos discursos não reverberam nas fileiras do nosso povo, não encantam e não os motivam mais.

 

Muitos preferem lutar sozinhos sabendo da morte certa diante do inimigo comum do que ter esperança em alguém que não se pode confiar.

 

Majestade, lamentamos informar, mas essa é a triste situação do vosso povo, sabemos que muitos dos nossos estão passando por dificuldades, alguns  não tem o que comer, muitos estão atolados em dívidas e outros com a família com graves problemas de saúde. Em meio a isso tudo, o que vossos ministros sindicais tem feito?

 

A resposta também é simples, Majestade!

 

Nada!

 

Eles são indiferentes, são incapazes de ver o sofrimento da nossa gente pois perderam a sensibilidade para com o próximo e para com ideal que nos une. O máximo que fazem é encaminhar para o departamento jurídico e esperar pela própria sorte ou por uma graça divina.  

 

Nosso povo está lutando contra muitos inimigos, mais dois se destacam de forma visível que assolam nossa gente.

 

O primeiro é o governo, o inimigo comum de todos. O segundo é a Nobreza Sindical, que é um péssimo exemplo para vosso reino, que nos enfraquece e nos corrói por dentro.

 

Majestade, assim não há possibilidade de ganhar essa guerra, não é possível  sem o nosso povo, sem um povo feliz, sem um povo unido, sem a transparência, sem simplicidade e  sem nossos ideais.

 

O povo está cansado, os súditos não tem mais esperança, eles foram tomados pelo medo, pelas incertezas e pela desconfiança na vossa administração e de seus Ministros Sindicais.

 

Acreditamos que os Ministros Sindicais são os verdadeiros donos da verdade, são celebridades desprovidas de simplicidade, insensíveis diante do sofrimento alheio, não escutam ninguém e aos poucos estão desestabilizando nossa luta.

 

Os súditos já não acreditam nas palavras de motivação, não tem mais o brilho nos olhos, não tem mais esperança em dias melhores e todos sabem que temos dias sóbrios, tristes em nossa direção, mas assim mesmo preferem enfrentar ás diversidades sozinhos do que acompanhados de vossos Ministros Sindicais.   

 

Percebemos que os simples sindicalistas não se entregam as ilusões diante de uma nobreza sindical que perdeu o respeito por nossa gente e pelo desejo pela liberdade de todos.

 

Muitos dos nobres que faziam parte do vosso reino já não estão mais entre vossas fileiras, não foram assassinados, mas sofreram algo pior, estão lançados no ostracismo por discordar dos absurdos e disparatos de vossa administração, por discordar de seus Ministros Sindicais, que retém a maioria das queixas que não chegam a vossa Majestade.

 

Sem demora e para concluir, não posso ser injusto, tem muita gente boa em vosso reino, mas que não tem voz, são silenciados e estão desanimados, mas não perderam a esperança como eu e muitos.    

 

Majestade Sindical Leão I, perdoe-me a minha insolência, minha franqueza e meus desatinos, é o que sinto, é o que vejo, é o que me dizem e é o que acontece.

 

A melhor maneira de convencer alguém que está errado, Majestade, é deixá-la seguir o seu caminho, eu vou seguir o meu, e vossa Majestade e a Nobreza Sindical o vosso.

 

Quem seguirá melhor caminho? Fica a dúvida.

 

Vida longa a liberdade e ao movimento sindical.

 

Boa jornada, Majestade Leão I.

 

Apucarana, 02 de maio de 2018, ao vigésimo quinto dia da prisão do preso político e maior membro da corte sindicalista que nosso reino já teve, o Nobre e Emissário do povo, Luiz Inácio Lula da Silva.

 

O simples servo do Reino Sindical,

 

Daniel Mota.

 

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Prof. Daniel Mota possui graduação em Filosofia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), lato sensu pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC/PR) em Ética, lato sensu pela UNESPAR/PR em Gestão de Empresas com Ênfase em Recursos Humanos. Professor, com ampla experiência na área da educação e com uma longa caminhada pela luta sindical. Currículo Lattes.

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