A Vida é uma Memória

A conexão foi rompida, a magia desapareceu, o encanto se quebrou e foi acontecendo sem que desse conta...

As antigas amizades foram se perdendo, desaparecendo uma a uma, como se nunca houvessem.

Será que foram realmente verdadeiras? O que é verdadeiro, dura pra sempre?

Me perguntei isso no início de toda essa correnteza de sentimentos em que tenho me afogado a cada imersão pessoal e nem mesmo percebi a nascente de tudo isso, desaguar gota à gota aqui dentro e como poderia ter notado, transbordar no outro? Tantas perguntas sem resposta!

A vida nasce de conexões e se esvai livre delas;

Seria esse o caso das amizades?

A vida seria capaz de fazer conexões necessárias para a sobrevivência da espécie em determinados momentos de sua trajetória na Terra, para depois de certa forma libertá-las ou liberá-las uma a uma de tamanha intensidade?

Enfim;

O ciclo antigo correu e outro iniciou sua correnteza e isso me parece natural e é preciso aceitar a natureza da caminhada.

Neste rincão; tão terreal e efêmero.

Essa caminhada que já nasce destinada a cruzar outros caminhos e desaguar na toda poderosa imensidão.

O quão misteriosa mansidão, se propaga essa força?

Inatingível explicação

É como se tentássemos suprir com palavras o que sentimos.

É certo; que disso tudo nasceram e nascem obras literárias formidáveis e magníficas canções que parecem eternas; porém até hoje insuficientes, na terrível tarefa e também necessidade de expressar o que só é possível sentir, a arte deve ter nascido disso...

As palavras devem nascer assim; como uma criança buscando compreender o mundo em que está lançada à engatinhar, até que se levante e comece a dar os seus primeiros passos.


A vida deve de ter aprendido caminhar assim, uma conexão aqui, outra ali, uma cá e outra lá; como numa formação neural e física, simpática e cérebro- espinal, até que fosse desvendando cada camada dimensional sem que se desse conta e quando se apercebesse, já seria vida e talvez não precisasse mais lembrar que é ou então não precisasse estar aqui e nem lá; portanto viva e plena de sua vivacidade infinita, uma energia vital em toda sua plenitude.

Com tudo pretendo dizer que talvez, a amizade seja uma memória e que permaneça exatamente como a preservamos dentro de nossa foz, desde a sua nascente até o encontro de todas as reencarnações futuras.


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Autor: Rafael Ferreira Vieira, escritor, poeta, músico e rapper.


Imagem : Alex Rocha