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"O Mundo do Trabalho para Pessoas Pretas: Uma Odisseia Invisível"

Bem, vou explicar como era e como é para uma pessoa preta ou pobre conseguir um trabalho. Preciso apresentar essa odisseia, pois não é fácil, melhor, não é nada fácil. Como em qualquer outro segmento, o mundo do trabalho para nós, pessoas pretas, é um mundo à parte, onde você é um cidadão de segunda classe. Não importa o quão inteligente ou competente você seja, você precisará de um protetor, um guia, uma pessoa que o ajudará a conseguir o emprego, a subir de cargo e até mesmo a se manter no trabalho.

 

Nós precisamos ser tutelados, e isso não mudou no mundo do trabalho, não tenho dúvidas. Se você, uma pessoa preta, for buscar trabalho e não tiver ninguém para lhe apresentar aquela vaga, você participará de todo o processo seletivo. Você pode ter o melhor currículo, ser o melhor candidato para a vaga, mas não se iluda, sem um tutor, esqueça, você não conseguirá, pois é assim que as coisas são, e é assim que sempre serão. Salvo exceção, no caso de concurso para serviço público, mas mesmo assim, você encontrará barreiras sociais e não terá privilégios, a não ser que seja aceito.

 

O mundo do trabalho é um drama, pois muitas vezes nunca será reconhecido pelo que fez, por sua competência, e ainda vão colocar na sua cabeça que você tem que ser grato pelo trabalho. No imaginário do seu tutor, ele lhe deu essa oportunidade e você tem a obrigação de ser grato. Se você fizer ao contrário, pensar que conseguiu pelo sua competência, será estigmatizado como um ingrato, uma pessoa que cuspiu no prato que comeu.

 

Por isso, quando se é uma pessoa preta, você precisa ser participativo, grato e pró-ativo no mundo do trabalho. E tem que desempenhar sua função com maestria, mas pela empregabilidade e não por causa das perspectivas.

Neste universo do trabalho, não nos é reservado um lugar na sombra, uma vaga que você quer, mas o cargo ocupado por você será o que tem, e na maioria das vezes, são cargos rejeitados pelos outros ou até mesmo destinados à pessoa preta, mesmo com um currículo impecável.

 

A sua empregabilidade está associada não à sua competência, mas ao grau de obediência, servidão, acompanhado de um silêncio profundo, no qual não nos é permitido pensar, falar ou reclamar. Um excelente funcionário preto precisa ter essas diretrizes, essas habilidades e competência para levar o sustento para nossa casa.

 

Esse tipo de informação, já recebemos muito antes da entrevista. Elas são nos passadas pelos nossos pais, amigos e tutores. Faço esse raio-x para vocês perceberem o quão é difícil, um homem, uma mulher, um jovem preto ou preta vencer na vida. As oportunidades já estão reservadas para caucasianos, para parentes e amigos deles mesmos. Isso é tão notório que percebemos poucas pessoas pretas em cargos de destaque, pois não é que não estudamos, não é que não queremos chegar a um cargo maravilhoso, é que os melhores cargos já estão reservados para outras pessoas que não são pretas.

 

Para não fugir muito da cronologia, voltaremos em outro momento a este assunto, para fechar a ideia do mundo do trabalho e o racismo.

 

Continua...


Prof. Daniel Mota

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Prof. Daniel Mota, possui graduação em Filosofia pela Universidade Federal do Paraná (1996). Especialização em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC/PR) Campus Curitiba. Pós-graduando na UNESPAR - Universidade Estadual do Paraná, Campus de Apucarana FECEA-PR. Professor com 30 anos de experiência na área da educação, em sala de aula com desenvolvimento de projetos educacionais nas áreas de Filosofia, História e Sociologia bem como consultoria educacional e financeira. Trabalhou por 25 anos no mercado financeiro, é funcionário da rede pública de ensino do Estado do Paraná, proprietário, editor do site Os Argonautas Mídia Alternativa, fundador e proprietário do projeto pela democratização da leitura, Sebo Apucarana.


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