Metafórico Tapa na Cara!


Trajando vermelho dentro; refletindo ver meios, fora!


Fora dessa forma, dessa fórmula algoritma, que descarta o próximo e que devora gente em máquinas de projetar sonhos, simular ideias, dissimular emoções, fabricar ilusões e replicar normativas.


Acoplar à conclusões remotas e fazer de cada pessoa viva um número morto, alguém lucra com isso e de pessoas mortas, notas se multiplicam aos ibopes;


Necessita de cuidado, vigiai teus passos, agora. Pois; es vigiado, sem que percebas!


O amanhã se aproxima pra uns e se distancia de outros, a preocupação, não vos pertence, integra a parte de um todo, todo o mundo partilha do motivo.


- O que fazer, então; para que o motivo seja partilhado?


- Para que finalmente a preocupação torne-se empatia?


Hoje; acordei com aquele metafórico tapa na cara e doeu mais do que aqueles que me deram nos enquadros da madrugada, mais didático, do que aqueles, que levei quando menino malcriado, revoltado, boca-suja, ainda sem causa pra militância e nem prumo para equilibrar o corpo, pequeno corpo carregando tanta ideia na cabeça, capengando nas balanças da vida.


Muita coragem pra resistir, muito mais medo pra revidar!


Tapas como esse, que me tiraram o fôlego e o coração do peito, o sangue da boca e que me subia o mesmo sangue pra cabeça e refletia nos olhos o desejo por vingança, o ódio penetrou o tempo e atravessou fronteiras, atrocidades se repetem e replicam-se aos ibopes. Mas; nem mesmo o tapa do segurança na boate, me deu tanto trabalho para digerir, quanto esse que me demoro.


Esse tapa...


Esse era diferente, bem diferente do que aquele; que no ano de 2.007 matou à queima roupa, um homem lá no centro: não é recomendado, que se dê tapa na cara de ninguém, nessa vida.


Mas; como dói esse tapa!


Ensina à ter humildade, pensar muito antes e repensar o dobro depois, ensina à agradecer muito e reclamar de absolutamente nada. Esse tapa, não foi e se esse não foi aquele no rosto do menino negro, também não foi tapa da ostensiva força armada do Estado.


Foi um tapa diferente, não como aqueles dos rapazes mais velhos, subjugando os meninos mais franzinos.


Aquele tapa, não foi o tapa na "macaca"; como lamentavelmente diria o velho negro que vivia no boteco perto da escola, racismo estrutural e domesticado deixado de herança para aquele pobre homem.


Aquele doía menos em mim, que não sou negro!


Esse; era muito desapercebido por quem passava...


Me roubou a frágil ideia da dignidade, não me matou; isso é fato.


-Quem bate, esquece! Mas; e quem apanha?


Nessa vida; nem sempre que apanhei, revidei de mão fechada e das vezes em que nadei no ar de olhos fechados; me arrependi amargamente. Talvez, tenha sido um inocente erro que me custou um olho ou outro inchado, supercílio rasgado, que me deixou de olho aberto, com a guarda alta e "ideias poucas"!


Definitivamente; não é aquele "tapinha não dói ou aquele na raba".


-Esse aí de cima; pode matar Elas! Esse deve ser o pior de todos.


Mas; o tapa, cujo o qual me demoro também está na cara; porém nunca será aquele ou aquilo d'outro, aquele da abordagem, ironicamente me deu vantagem, depois da vontade de matar, me fez escrever com mais gana de escritor, me fez forte e destemido poeta forjado que sou, fiz disso minha refeição diária.


Enfim; o metafórico tapa é o que nos desperta pra vida e te faz generoso naqueles dias em que vc já "acorda", reclamando de tudo, da água fria, da falta de grana, da ausência do outro, da roupa repetida, do café gelado, a garrafa velha sem pressão, da falta do que fazer; absurdo!


Quanta ingratidão; numa só fala...


Em tempos pandêmicos, de guerra dos egos multiplicados, de gente "cagando" de medo d'um vírus alienígena por alguns e conspiração para vários; o que para todos acomete tanto, que não o conceito de humanidade?


O que nos afasta tanto da realidade; senão um negacionismo tão frio, quanto a geada do fim do mês passado?


A doença é algo que nos afasta e nos aproxima da ideia de presente, nunca foi tão importante o presente e isso talvez nos faça notar o triste e doloroso encontro; com uma pessoa dormindo ao relento, invisível em plena trincheira da guerra biológica, pandemia e ingratidão se esbarram na calçada, na realidade gritante, mas silenciada pela indiferença; que revolta tanto, quando desmascarada, assim como um tapa na cara, que nos ensina à agradecer.


Mas; que nos convida pra somar!


(Rafael Ferreira Vieira)/

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Autor: Rafael Ferreira Vieira, escritor, poeta, músico e rapper.

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